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Aposentado ferido a bala em protesto fará cirurgia para reconstituir maxilar

Ferido no rosto por um disparo de arma de fogo durante o protesto ocorrido na última quarta-feira (24), o aposentado Carlos Geovani Quirino passará por uma cirurgia de reconstituição do maxilar. Segundo o filho dele, o segurança Geovanni Luiz Quirino, o pai está sendo mantido em coma induzido e respira com a ajuda de aparelhos.

Depois de quase três dias sem informações detalhadas sobre o estado de saúde do pai, a família recebeu hoje (27) um relatório completo dos médicos que acompanham o pai no Hospital de Base, onde o aposentado está internado. Eles receberam a confirmação de que o projétil não atingiu a faringe nem a coluna cervical.

“Apesar da situação dele, o bom é que fomos informados sobre a parte clínica. Tivemos uma boa resposta. Saímos de lá mais tranquilos. Estávamos aflitos com a falta de informações”, disse Quirino, que veio de Belo Horizonte com um irmão e uma prima para acompanhar a situação do pai.

Segundo Quirino, os médicos informaram que o pai foi atingido no lado direito do rosto por um projétil que está alojado entre o maxilar e a nuca. Inicialmente, segundo ele, a bala não será retirada. De acordo com ele, o relatório repassado à família hoje pelo Hospital de Base será enviado a médicos na capital mineira para analisar a possibilidade de transferência do pai. “Lá, ele vai estar mais próximo da família”, explicou.

Ao todo, 49 pessoas que estavam na Esplanada dos Ministérios durante o confronto entre policiais e grupos de manifestantes mascarados receberam atendimento médico. Quatro precisaram ser internadas, entre elas um estudante de 21 anos que perdeu três dedos da mão direita ao lançar um artefato em direção a um policial.

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Documentário traz sonhos e desafios dos jovens do ensino médio público

Filmagens do documentário Nunca me Sonharam, que relata sonhos, angústias e desafios dos jovens do ensino médio

Filmagens do documentário duraram dois anos sob a direção da Cacau RhodenInstituto Unibanco/Divulgação

Estreia em 8 de junho o documentário Nunca me Sonharam, que apresenta um panorama do ensino médio nas escolas públicas do Brasil por meio de depoimentos de jovens estudantes, professores e especialistas em educação. Percorrendo as cinco regiões do país, o filme é capaz de aproximar o público dessa realidade de forma intensa, mostrando a grandeza dos sonhos de cada jovem, suas angústias em relação ao futuro e a complexidade de educar diante de tantas adversidades que é imposta aos professores.

A partir da iniciativa do Instituto Unibanco, que desenvolve um projeto de gestão em mais de 2,5 mil escolas públicas do Brasil, o filme foi construído durante dois anos e teve direção de Cacau Rhoden. “Sou grato pela oportunidade de mergulhar neste país e ouvir esses meninos que têm tanto para falar e nos ensinaram muito. Foi um trabalho muito coletivo de exercitar a escuta e colocar esse assunto na mesa de jantar, na mesa do bar, em outros âmbitos, transcendendo os muros da escola”, disse.

Do interior do Ceará, da cidade de Nova Olinda, veio a fala do estudante Felipe Lima que dá nome ao documentário. Ele conta que seus pais acreditavam que só filho de rico entrava na universidade. “Para eles, o máximo era terminar o ensino médio e arrumar um emprego. Trabalhador de roça, vendedor, alguma coisa desse tipo. Acho que nunca me sonharam sendo um psicólogo, nunca me sonharam sendo professor, nunca me sonharam sendo um médico, não me sonharam. Eles não sonhavam e nunca me ensinaram a sonhar. Estou aprendendo a sonhar”, disse no filme.

Em entrevista à Agência Brasil, Felipe disse que o documentário é um legado que pode servir de inspiração para vários jovens. No fim do ano passado, ele formou-se no ensino médio e hoje cursa Gestão de Recursos Humanos por meio de bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni), do governo federal. “Para mim, chegar até aqui já tem sido uma imensa vitória. O que eu penso, a partir de agora, é que o céu é o limite. Para quem sonha, não tem limites, você não para, você está em constante transformação, em constante busca pelo conhecimento”, declarou.

“Hoje os jovens talvez estejam meio ofuscados nessa turbulência toda, nessa escuridão que o país está vivendo, mas é necessário, é muito importante os jovens acreditarem nesse poder transformador da educação. A educação, por mais que esteja em um caos, não deve ser vista como um problema e sim como uma solução para todas as mazelas sociais”, acrescentou o jovem.

Direito à educação

Referindo-se diversas vezes ao valor da educação como um direito fundamental, o filme apresenta depoimentos como os do professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) Gersem Baniwa. Para ele, a educação é uma ferramenta fundamental de libertação e o ensino médio é um rito de passagem (para os jovens).

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 82% das crianças e jovens até 19 anos que estão estudando são atendidos pela escola pública. No entanto, há ainda 1,6 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos fora da escola. Para o superintendente executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, o filme coloca de forma explícita o desafio das políticas públicas no Brasil de assumirem a responsabilidade de “sonhar seus jovens”.

“Sonhar seus jovens hoje implica ter uma visão sistêmica de estruturação de toda a agenda política em torno da garantia do direito de aprendizagem da juventude, recolocar o jovem como elemento central do desafio do ensino médio público e instituir procedimentos da esfera do governo federal e do estadual que cheguem até a sala de aula, que estejam o tempo todo, de forma recorrente, atentos à garantia do direito de os jovens ficarem na escola, não abandonarem, e aprenderem o necessário”, explicou Henriques.

Para ele, a motivação do filme é provocar um debate em torno dos caminhos possíveis, não de uma solução única, para construir modos de garantir a aprendizagem dos jovens na escola pública. “A criação do filme, a busca dos personagens, a identificação de situações-problema, de gargalos a serem resolvidos e dos personagens a serem entrevistados foram todos em cima de escolas [públicas] que são do Jovem de Futuro [projeto de gestão escolar do instituto]”, acrescentou.

Titulo do filme veio de estudante do interior do Ceará, que diz estar aprendendo a sonhar por meio da educação

Titulo do filme veio de estudante do interior do Ceará, que diz estar aprendendo a sonhar por meio da educaçãoInstituto Unibanco/Divulgação

Presidente

Estudante formada na escola estadual Professor José de Souza Marques, no Rio de Janeiro, Thaianne de Souza Santos, de 18 anos, e que hoje cursa Administração na Faculdade Souza Marques com bolsa integral, sonha em ser presidente. “Eu sonho em ser professora e posteriormente em ser presidente. Interessante é sonhar e mais interessante ainda é motivar alguém a sonhar”, disse à Agência Brasil.

Segundo ela, o documentário trouxe uma realidade interessante. “Coisas que aconteceram, por exemplo, no Ceará, são coisas que eu sei da minha realidade no Rio de Janeiro. Eu chorei o filme todo porque eu vivi parte daquilo e porque eu conheço pessoas que viveram parte daquilo. Não é uma coisa isolada, é a realidade”, declarou.

“E não é todo dia que acontece um filme que mostra a realidade. A gente vê comercial na televisão que não mostra a realidade, a gente vê propaganda do governo que não mostra a realidade, que dá impressão para o jovem que o poder está na nossa mão, que a gente está decidindo, mas, na verdade, a gente não está decidindo. Já foi decidido, e a gente está assistindo a todas essas decisões”, comentou a estudante.

Diversidade

A antropóloga Regina Novaes avaliou o documentário de forma positiva, citando a abrangência regional e a diversidade de debates produzidos, incluindo jovens e professores. Para ela, a discussão possibilita denunciar o que é ruim e reconhecer o que está funcionando bem. “Os alunos são sensacionais porque eles colocam críticas à escola, percebem o que não está bom, mas, ao mesmo tempo, percebem o que a escola dá de oportunidade para eles mudarem o sentido dela”, disse.

A especialista considera a democratização da escola pública como um avanço. “No passado, a escola pública era para poucos e só refletia a elite da sociedade que a frequentava. A maioria dos jovens estava no mercado de trabalho, de uma maneira precoce e precarizada”, explicou.

Para Regina, o filme é um instrumento importante de discussão no momento atual. “Ele [o documentário] mostra que, justamente quanto mais se tem a possibilidade de os alunos discutirem, mais eles vão aprender. Eles [produtores do filme] dizem isso de uma maneira brilhante. Ser acolhido na escola faz você aprender melhor as coisas. O filme é uma vacina nesse momento que estamos vivendo, nesse momento de retrocesso, de generalização, de crítica. Ele vai ajudar a pensar os processos em curso, o que tem que melhorar, sem dúvida nenhuma, mas o que não volta para trás mais”, finalizou.

A partir de 8 de junho, o documentário estará em cartaz no Espaço Itaú de Cinema de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de ficar disponível gratuitamente no link: http://www.videocamp.com/pt/movies/nuncamesonharam. Enquanto isso, o público pode assistir ao trailer na mesma página.

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Educadores defendem inclusão de competências socioemocionais na rotina escolar

Responsabilidade, amizade, colaboração e solidariedade são qualidades que conhecemos do dia a dia, embora alguns de nós não saibamos como praticá-las. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros querem que essas competências sejam “ensinadas” na escola, conjuntamente com português, matemática e demais disciplinas.

“Há pesquisas que mostram que as competências emocionais são mais importantes que o próprio aprendizado escolar para os resultados que a pessoa alcança ao longo da vida”, revela Tatiana Filgueiras, diretora do edulab21, projeto do Instituto Ayrton Senna que estuda formas inovadoras de educação para o século XXI.

As chamadas competências socioemocionais foram tema de debate realizado nesta semana em Fortaleza que reuniu pesquisadores, professores, gestores e secretários de Educação do Ceará e de outros estados para partilharem experiências e conhecimentos sobre o ensino dessas habilidades em sala de aula.

No Brasil, o Ceará integrou o desenvolvimento das competências emocionais à rotina escolar em 2012. A experiência ocorre em 160 das 700 unidades de educação. “Nós entendemos a importância desse aspecto porque o aluno é um sujeito individual. É preciso entendê-lo, respeitá-lo, saber seus pontos fracos e fortes para, a partir daí, ter melhores resultados no desempenho escolar”, defende o secretário da Educação do estado, Idilvan Alencar.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está concluindo uma avaliação da experiência cearense com competências emocionais nas escolas estaduais de ensino médio. Os resultados preliminares demonstram que os alunos tiveram bons desempenhos considerando somente um ano letivo, Além disso, estudantes fora da faixa etária indicada para o ano que cursam (mais suscetíveis a abandonar a escola) tiveram melhora na aprendizagem de disciplinas tradicionais.

Expansão

A ideia de incluir competências socioemocionais entre as disciplinas escolares faz parte da versão final da Base Nacional Comum Curricular, que será usada em todo o país. Atualmente, além do Ceará, apenas Rio de Janeiro e Espírito Santo aplicam essas competências no dia a dia dos estudantes.

Segundo Tatiana, em uma pesquisa realizada pelo Instituto Ayrton Senna em 2011, 79% de um universo de 3,7 mil diretores e professores disseram que é papel da escola desenvolver competências emocionais. Para ela, os impactos de que tratam a pesquisa do BID podem ser traduzidos na redução de conflitos entre alunos, com destaque para os episódios de bullying.

“Não é só papel da família desenvolver competências emocionais, porque a escola precisa compensar pelas desigualdades e precisamos dar chance para todo mundo ter as mesmas oportunidades e condições”, explica a diretora do edulab21.

Vida adulta

A falta de habilidades socioemocionais pode refletir-se na vida profissional e social dos adultos. O pesquisador Oliver John, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, cita o caso da empresa de energia Enron, protagonista de um escândalo de fraudes contábeis que a levou à falência em 2001.

“Eles tinham o único princípio de ‘quem for o mais esperto’ da sala tem a maior quantidade de recursos, de funcionários, que trabalhariam duro para ganhar muito dinheiro. Só que eles fizeram coisas terríveis: mentiram, manipularam. O estado da Califórnia perdeu bilhões de dólares por causa disso”, diz John.

“Em essência, se você não ensina as crianças de que é importante usar a empatia e de que as pessoas têm o direito de serem respeitadas, você terá uma sociedade em que as pessoas não cooperam, brigam, e não trabalham juntas. Tudo vai por água abaixo, porque precisamos viver juntos”, acrescenta.

O pesquisador menciona ainda o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como alguém em que competências socioemocionais fazem falta. Para ele, Trump incentiva o ódio nas pessoas ao hostilizar imigrantes e ao pretender barrá-los com a construção de um muro entre o país e o México.

“Na minha perspectiva, ele é um ótimo exemplo de alguém que não cresceu e não aprendeu algumas dessas competências emocionais. Há um artigo recente que diz que os Estados Unidos são governados por um garoto de 5 anos de idade. A ideia é de que ele tem um tipo de desenvolvimento social equivalente a alguém de 5 anos. Ele não entende que o mundo é complexo e temos diferentes perspectivas”, analisa.

Desafios para o século 21

O diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos defende que complexidade da sociedade do século 21 torna a enfatização das competências emocionais mais urgente nas escolas. Segundo ele, essa não deve ser exatamente uma disciplina no currículo de ensino, mas um assunto que permeia todo o dia a dia escolar, como o planejamento de uma aula e até a arquitetura das salas de ensino.

“Essa educação para o século 21 não é nada mais do que colocar, de maneira intencional na escola, o desenvolvimento dessas competências para que crianças, jovens, professores e gestores possam se desenvolver em sua plenitude e estejam preparados para essas mudanças tão bruscas que estão acontecendo neste século. Com isso, essas pessoas podem ser mais flexíveis e colaborativas”, diz.

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Equipes terceirizadas removerão à força dependentes químicos da Cracolândia

Equipes terceirizadas, contratadas pela prefeitura de São Paulo, serão as responsáveis por conduzir a uma avaliação médica coercitivamente (contra a vontade da pessoa) os dependentes químicos que frequentam a região da Cracolândia. A ação deverá começar na próxima semana.

“Vamos utilizar ambulâncias de remoção especializadas [da área de saúde mental] em atender pacientes, que serão contratadas especialmente para esse serviço”, disse, no fim da tarde de hoje (27), o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara.

De acordo com o secretário, as equipes que abordarão os usuários de drogas serão formadas por pelo menos dois servidores da prefeitura da área da saúde, por membros da assistência social e pela Guarda Civil Metropolitana. Pollara ressaltou que nenhum desses profissionais fará a remoção dos pacientes, apenas a abordagem. A retirada dos dependentes ficará exclusivamente a cargo de profissionais contratados.

“A Guarda Civil não vai entrar em contato com o usuário que está em crise psicótica. Quem entra em contato com os usuários são os enfermeiros especializados nesse tipo de ação, da mesma forma quando temos alguma pessoa na nossa casa que está em crise psicótica, e esses profissionais são chamados. A Guarda Civil tem a única finalidade de proteger para que não haja tumulto ao redor”, disse o secretário.

De acordo com Pollara, foi formado um comitê de psiquiatras de alto nível que está elaborando um protocolo e estabelecendo critérios para a identificação dos pacientes que serão removidos à força. O secretário não divulgou o nome dos médicos que fazem parte do comitê.

“Se o indivíduo tiver capacidade total de contato, estiver se relacionando bem, estiver aguentando bem, não há porque transportá-lo. O paciente que estiver fora de si, com uma crise grave de agressividade contra ele próprio ou contra ao redor, esse que vai ser motivo de uma abordagem”, disse.

Pollara voltou a defender a necessidade de remoção forçada de pacientes para uma avaliação médica. O secretário disse que a decisão de recorrer a essa prática foi tomada, principalmente, em razão dos resultados apresentados pelo programa Redenção, já em vigor na Cracolândia.

“Nós tivemos 912 abordagens e somente 425 pacientes concordaram em serem ajudados. Isso mostra que existe ou uma falta de confiança, ou uma dificuldade da abordagem no meio da rua. Nós temos que fazer alguma coisa, ter um instrumento a mais para poder aumentar a eficiência do nosso programa”, acrescentou.

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Portugal instalará salas de consumo assistido para usuários de drogas

Quinze anos depois de aprovada a descriminalização do uso de todo tipo de drogas, separando o consumo do tráfico, Portugal apresenta os melhores resultados entre os países que adotaram o modelo. Nem o consumo aumentou, nem o país se tornou ponto de encontro de toxicodependentes de outras partes do mundo. Portugal foi pioneiro no assunto, liderado pelo médico João Goulão, atualmente diretor do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (Sicad), que recebeu nesta semana o primeiro pedido para a instalação de uma sala de consumo assistido, modalidade  aprovada desde  2001 e que deve sair do papel nos próximos meses.

Quando a questão passou da área criminal para a de saúde pública, o país assistiu a uma redução significativa de infecção por HIV entre os dependentes, de mortes por overdose e da população condenada a pena de prisão por crimes relacionados com entorpecentes. Em 2001, esse grupo representava 41% do total de reclusos no país, índice que caiu para 19% em 2015. “Havia ainda cerca de 100 mil usuários problemáticos de heroína por via injetável, número que atualmente não passa de 40 mil”, disse. Mas nem tudo é cor de rosa nesse universo. Ainda há  muito a fazer.

O balanço positivo resultou do fato de os dependentes de substâncias ilícitas deixarem de ser perseguidos como criminosos, passando a ser tratados como doentes. “A mudança de paradigma transformou Portugal em exemplo de boas práticas em todo o mundo. E explica-se sobretudo porque, ao contrário de outros países, onde a difusão das drogas ocorria entre as populações mais desfavorecidas, havia no momento um boom de experimentação de drogas em todos os grupos sociais, incluindo as classes média e alta. Na época, era praticamente impossível encontrar uma família que não sofresse suas consequências do problema”, afirmou.

Foi devido ao fato de o consumo de substâncias ilícitas abranger de forma completamente transversal a sociedade portuguesa que se formou um ambiente favorável a abordagem mais progressista da questão, conduzindo à descriminalização de todas as drogas. ”Quando as coisas se confinam às margens, é muito difícil mobilizar vontades para políticas inclusivas. No Brasil, por exemplo, a coisa está na favela, e é nas favelas que deve continuar”, afirmou Goulão, que tem visitado o país muitas vezes e conhece a realidade realidade brasileira.

De acordo com o o médico, a descriminalização foi importante e um primeiro passo para enfrentar o problema, mas Portugal avança ainda mais, apostando na redução de riscos e minimização de danos, movido pela ideia de que as drogas não se combatem com instrumentos jurídicos e policiais. Nesse contexto, inserem-se as salas de consumos assistido. Aprovados em 2001, esses espaços não foram  ainda implantados em Portugal, porque, desde a descriminalização, registrou-se queda quase vertiginosa dos consumos por via injetável.

No entanto, com o agravamento da crise econômica em Portugal, que afetou os programas de reinserção de dependentes no mercado de trabalho e de recuperação social, essa modalidade de consumo recrudesceu, o que, segundo Goulão, já justifica a implantação das primeiras salas no país.

Há 30 anos existem salas de consumo assistido na Europa, num total de 90, em nove países. Somente em 2014 ocorreram 6.800 mortes por overdose no Continente, mas, nesse período, registrou-se apenas um óbito num desses espaços, na Alemanha, causado por anafilaxia. Todas as salas dispõem de pessoal treinado para intervir em caso de overdose. Os consumidores também aprendem manobras para ajudar os que estão em situação de risco mortal e recebem um kit com naloxona pronta para injetar.

As salas foram criadas em uma lógica de redução dos comportamentos que aumentam o risco de transmissão de doenças e de mortes por overdose. Há diferentes modelos, desde os integrados até unidades móveis, que deve ser o que Portugal vai implantar nos próximos meses. Nesses espaços, os dependentes recebem aconselhamento social e psicológico, tratamentos de substituição de drogas, feridas, doenças e troca de seringas.

Maconha

Na Alemanha, há espaços separados para usuários de drogas injetáveis e fumadas  Arquivo/Agência Brasil

Na Alemanha, há espaços mais completos onde os toxicodependentes são alimentados, podem tomar banho, lavar roupas e dispõe de uma clínica para cuidados gerais, internamento para quem está em tratamento de desintoxicação, cuidados que convivem com espaços diferenciados para uso de drogas injetáveis e fumadas.

Variam as regras para o acesso às salas. Na Alemanha, são vetados todos os que estão em tratamento com opiáceos de substituição, o que já deixa de fora cerca de 70 mil pessoas. Algumas aceitam dependentes partir de 16 anos, desde que com autorização dos pais por escrito, mas a maior parte somente a partir dos 18 anos. Nenhuma permite o acesso de consumidores ocasionais ou que estejam  usando drogas pela primeira vez. Também não podem frequentá-las quem se apresentar intoxicado ou embriagado.

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Projeto que enviou bailarinos do Complexo do Alemão ao Bolshoi pede ajuda

Depois de atender 1,5 mil crianças e adolescentes carentes e enviar dois alunos à Escola Bolshoi, em Santa Catarina, e três ao Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o Projeto Vidançar foi obrigado a deixar o local onde funciona há oito anos no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Sem ajuda financeira, o projeto agora pede ajuda para continuar a atender 200 crianças e jovens da comunidade.

A gestora do projeto, Ellen Serra, explica que o grupo está sem patrocínio desde janeiro e que o aluguel da sala onde funcionava dobrou. “Nós estávamos no espaço na Nova Brasília havia dois anos. Era um lugar legal, de fácil acesso aos moradores e aos visitantes, bem na entrada da comunidade. Só que a proprietária dobrou o valor do aluguel, de R$ 1,5 mil para R$ 3 mil, inviabilizando a gente de pagar porque estamos sem recurso nenhum”, declara.

Segundo Ellen, a situação do projeto é dramática. Eles nem têm recursos para pagar os professores enquanto o novo apoio financeiro não sair. “Conseguimos um apoio da Secretaria Municipal de Cultura, mas só vai começar a entrar em julho”, explica. De acordo com ela, essa ajuda será suficiente para pagar apenas três professores e um funcionário.

O projeto negociou um espaço novo, no Centro de Referência da Juventude, que funciona no Alemão. No entanto, ainda é necessário equipar a sala para as atividades de dança. “Nós vamos para lá na terça-feira, vamos começar mesmo sem os equipamentos para não parar as atividades, e a gente vai captar recursos para poder instalar o espelho, as barras, o piso, todo o material necessário para as aulas”, acrescenta.

Vaquinha

A captação está sendo feita por meio de uma “vaquinha virtual”. O Projeto Vidançar oferece aulas de balé clássico e contemporâneo para a faixa de 4 a 18 anos e de hip hop e dança de rua para crianças e jovens de 6 a 23 anos, além de aulas de teatro.

Aos 8 anos, Maria Eduarda Silva Macedo, descobriu a paixão pelo balé no projeto. “O projeto Vidançar é muito importante pra mim. Foi lá que descobri que amo balé e aprendi e aprendo a dançar através dos professores. Eu sei que é muito importante para muitas crianças também, por isso não podemos deixar acabar”, diz.

Matheus Correia, de 17 anos, faz hip hop e viu no projeto a oportunidade de que precisava para alcançar o sonho de dançar profissionalmente. “Eu nunca tive acesso à dança em qualquer outro lugar, porque as escolas eram pagas. Mas sempre tive esse sonho de poder dançar, em qualquer lugar que fosse, para que eu pudesse desenvolver o meu sonho. O projeto Vidançar estava se apresentando na minha escola, daí eu encontrei eles e fui começar a fazer as aulas. Conheci meu professor e daí comecei a desenvolver o meu talento”, recorda.

Matheus é um dos dançarinos que participou hoje (27) do espetáculo Os Opostos se Atraem, que fala da dualidade entre balé e hip hop, onde as diferenças podem transformar-se em grande aprendizado e soma. A apresentação única, na Cidade das Artes, foi a primeira do grupo em um palco profissional.

*Colaborou Cynthia Pereira, repórter do Radiojornalismo EBC

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Defesa diz que Aécio nunca usou bloqueador de celulares encontrado pela PF

A defesa do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) divulgou hoje (27) nota em que afirma que os documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal na casa do tucano não comprometem a atuação parlamentar dele. Em relatório apresentado à Justiça ontem (26), a PF informou que encontrou um bloqueador de sinal telefônico, uma lista de indicações para cargos federais e anotações manuscritas, dentre elas a inscrição “cx 2”, nas operações de busca e apreensão realizadas na semana passada na casa e no gabinete do senador.

Em comunicado divulgado pelo PSDB e assinado pelo advogado Alberto Toron, a defesa de Aécio afirma desconhecer a inscrição “cx2” e aguarda ter acesso ao papel para fazer a defesa. Em relação ao aparelho de bloqueio de celulares, o advogado diz que ele foi oferecido ao tucano em 2014, durante a campanha presidencial, mas que nunca foi usado pelo mineiro.

“Todas as campanhas das quais participou o senador ocorreram em absoluto respeito à legislação vigente. Por isso, repudiamos com veemência ilações apressadas que vêm sendo feitas sobre os citados documentos e aguardamos acesso a eles para que todos os esclarecimentos sejam feitos e eventuais dúvidas sanadas”, diz trecho da nota.

Sobre um dos quadros apreendidos pela PF, do pintor Portinari, a defesa de Aécio Neves disse que ele foi feito para o presidente Tancredo Neves, em 1961, e que está na família há quase 60 anos.

Em 18 de maio, atendendo a mandados expedidos pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), a PF realizou operações de busca e apreensão na em imóveis de Aécio Neves em Brasília, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte.

Além do bloqueador de telefone, no apartamento do senador, no Rio de Janeiro, foram apreendidos 15 obras de arte, diversos documentos, entre os quais um papel azul com senhas, além de diversos comprovantes de depósitos e anotações manuscritas, entre as quais constava a inscrição “cx 2”.

No gabinete do senador, foram apreendidas planilhas com supostos nomes de indicados para cargos federais, com referência aos partidos que fizeram as indicações e à remuneração, além de uma agenda com marcação de reuniões com Joesley Batista e uma folha manuscrita com dados da empreiteira Odebrecht. Os celulares do senador também foram levados pelos policiais.

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Prefeitura de SP pretende remover à força até 100 dependentes da Cracolândia

A prefeitura da capital paulista estima que deverá conduzir a uma avaliação médica coercitivamente (contra a vontade da pessoa) cerca de 80 a 100 dependentes químicos que frequentam a região da Cracolândia no centro de São Paulo. Ontem (26), a pedido da administração municipal, a Justiça paulista autorizou a prefeitura a abordar usuários de drogas nas ruas e levá-los compulsoriamente para uma consulta psiquiátrica.

“Uma avaliação prévia mostra que lá na região 30% das pessoas têm problema psiquiátrico grave. Temos também uma avaliação de que pouco menos da metade das pessoas aceitam [ir ao médico], pouco mais da metade aceita. Se considerar hoje que lá temos 600 pessoas, eu estou falando em 200 pessoas com problemas psiquiátricos. Das quais de 80 a 100 pessoas vão precisar de condução coercitiva”, disse hoje (27) o secretário municipal de Saúde Wilson Pollara.

De acordo com o secretário, a ação deverá ser iniciada na próxima semana. No entanto, ainda não está formatada, em detalhes, a forma como será feita a abordagem dos usuários de drogas. Pollara adiantou que será usada uma equipe multidisciplinar no contato com os dependentes químicos.

“Isso vai ser definido pela nossa equipe psiquiátrica, já está sendo elaborado, está quase no final. [Depois de abordada] a pessoa vai ser levada ao Caps [Centro de Atenção Psicossocial] e em seguida essa pessoa é consultada pelo psiquiatra. Ele define a necessidade ou não de uma internação, e aí essa solicitação é levada ao juiz, que analisa de uma forma adequada, se há ou não os critérios para que essa pessoa seja internada”, acrescentou o secretário.

Decisão judicial

De acordo com a prefeitura, atualmente, os agentes de saúde e guardas-civis podem abordar os dependentes químicos e oferecer o tratamento de forma voluntária. Com a decisão judicial de ontem, os usuários poderão ser levados, sem o consentimento deles, para um médico. Se o médico considerar necessária a internação compulsória, é preciso uma autorização judicial, procedimento que já é adotado. A abordagem compulsória valerá por 30 dias e poderá ser aplicada na região da Cracolândia e adjacências. Menores de idade não estão incluídos.

Conselho de Medicina

Em nota divulgada na noite de ontem, o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), Mauro Aranha, disse que os médicos, caso optem pela internação à força, deverão fundamentar a decisão em detalhes e individualmente. Após isso, o pedido deve ser encaminhado à justiça.

“É absolutamente necessário que se observe que o ato médico da consulta psiquiátrica deve preceder a todo procedimento de hospitalização forçada. O Código de Ética Médica contém as normas que devem ser seguidas pelos médicos no exercício de sua profissão. A legislação garante ao profissional autonomia suficiente que lhe permita recusar-se a realizar atos médicos que sejam contrários aos ditames de sua consciência e ao melhor interesse da saúde de seu paciente”, ressaltou o Cremesp.

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Vítima de acidente na Sapucaí no carnaval piora e está em estado grave

Piorou o estado de saúde de uma das vítimas do acidente com o carro alegórico da escola de samba Paraíso do Tuiuti. No domingo de carnaval, o carro perdeu o controle e atropelou 23 pessoas na concentração para o desfile no sambódromo do Rio de Janeiro.

A Secretaria Municipal de Saúde confirmou hoje (27) que piorou o quadro de saúde da fotógrafa Lúcia Regina de Mello Freitas, que teve fratura exposta na perna. Internada há mais de 90 dias, ela está em estado grave e voltou ao Centro de Tratamento Intensivo (CTI) do Hospital Miguel Couto.

Em 29 de abril, morreu outra vítima do acidente, a radialista Eizabeth Ferreira Joffe, de 55 anos, conhecida como Liza Carioca. Liza estava internada no Hospital Quinta D’or, em São Cristovão, zona norte do Rio.

O inquérito para apurar o acidente foi concluído pela Polícia Civil no dia 15 de março e quatro pessoas foram indiciadas na 6ª Delegacia da Cidade Nova: o diretor de Carnaval da Tuiuti, Leandro de Azevedo Machado; o diretor de Alegoria da escola, Jaime Benevides de Araújo Filho; o engenheiro Edson Marcos Gaspar de Andrade e o motorista Francisco de Assis Lopes.

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Ato com máscaras em Copacabana pede fim da corrupção e reforma política

ato contra a corrupção na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro – Em ato da ONG Rio de Paz, em Copacabana, máscaras vermelhas representam políticos corruptos e as brancas representam os honestosAkemi Nitahara/Agência Brasil

Na manhã de hoje (27), 595 máscaras foram colocadas nas areias da Praia de Copacabana, na altura da avenida Princesa Isabel, pela organização não-governamental (ONG) Rio de Paz, para simbolizar os 513 deputados, 81 senadores e o presidente Michel Temer. Ao lado havia duas faixas, pedindo a reforma política e a renúncia do presidente da República.

De acordo com o presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, as máscaras pintadas de vermelho representam a vergonha que os políticos deveriam ter da atual situação do país. Do total, 95 máscaras são brancas, para simbolizar a parcela de políticos íntegros.

“Essas máscaras pintadas de vermelho representam a vergonha que gostaríamos de ver estampada no rosto da classe política brasileira e que não está. Eles são flagrados em gravações e não apenas não revelam nenhum constrangimento como partem para a ofensiva. Essas máscaras estão enterradas aqui na areia porque simboliza essa corrupção que já alcançou o pescoço da classe política brasileira”, afirma.

Costa lembra que a ONG faz ações normalmente voltadas para a área de segurança pública e direitos humanos, mas, segundo ele, a crise política interfere diretamente na vida do cidadão, fazendo referência às denúncias contra ocupantes de altos cargos, como o presidente Michel Temer e o senador afastado Aécio Neves, entre outros, citados em delação dos donos da empresa JBS. Ambos foram gravados por Joesley Batista, mas negam acusações de envolvimento com caixa 2 e propina.

“Todos os dias recebemos notícias de moradores de favelas vítimas de balas perdidas, estão morrendo em tiroteios entre policiais e traficantes. Somamos os 14 milhões de desempregados e metade dos brasileiros que não têm acesso à rede de esgoto. Isso num cenário de corrupção escandalosa no Congresso Nacional e que atingiu agora o mais alto posto da República. Isso se reflete na ponta, na vida de milhões de trabalhadores, na vida do pobre, do sertanejo, do morador de favela”.

Sobre a reforma política, a Rio de Paz considera importante mecanismos que “dificultem a ascensão ao poder de corruptos e incompetentes”, como diminuição do número de partidos políticos, fim do “puxador de voto” que “arrasta junto pessoas que não receberam voto quase nenhum e ninguém conhece” e a cláusula de barreira para que não tenha “partido sem representante e sem voto recebendo dinheiro público para a campanha”. Costa destaca, ainda a importância dos políticos manterem o contato com a população que o elegeu.

O ato das Máscaras da Vergonha foi montado em Brasília na terça-feira (23) e será levado a São Paulo na próxima quarta (31), onde será montado no Masp de 6h às 14h.

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